Projeto ROJO (Núcleo de Produção)



Coletivo Vermelho de Teatro
Núcleo Transdisciplinar de Pesquisa em Artes Cênicas – NACE



Rojo


Índice


1.     Apresentação
 2.   Sobre o NACE
 3.   Sobre Rojo
 4.   Ficha Técnica Rojo
 5.    Espaço Cênico
 6.   Necessidades Técnicas
 7.    Currículo de Rojo
 8.   Clipping
 9.   Artigo


Foto: Karina May




Apresentação


O Coletivo Vermelho de Teatro é formado por atores pertencentes e não-pertencentes  a diferentes grupos teatrais de Maceió. O Coletivo teve origem a partir da montagem cênica “Rojo”,  fruto de um processo colaborativo do Núcleo Transdisciplinar de Pesquisa em Artes Cênicas e Espetaculares (NACE) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), sob a orientação da Profa Dra. Nara Salles. 
            A obra de Frida Kahlo, a estética cinematográfica de Pedro Almodóvar, a poética de Antonin Artaud são elementos de inspiração para a criação da montagem cênica. Tendo sua fundamentação teórica pautada nas teorias pós-dramáticas propostas por Hans -Thies Lehmann.
O NACE ainda promoveu a exibição de filmes de Almodóvar aberta para toda a comunidade acadêmica e para o público em geral no ano de 2010, no intuito de assim despertar no indivíduo a sensação estética e sensorial através da arte, além de aprofundar os estudos sobre a obra de Almodóvar, pois a cada sessão aconteceu um comentário e debate sobre o filme exibido.
            Rojo estreou em outubro de 2010, no Espaço Cultural Linda Mascarenhas, no I encontro de Processos Criativos em Artes Cênicas e Áudio-Visuais de Alagoas, produzido pelo próprio núcleo de pesquisa (NACE). 






























Foto: Larissa Fontes
Apresentação no Espaço Cultural
Linda Mascarenhas – Maceió/AL






Sobre o NACE

Núcleo Transdisciplinar de Pesquisa em Artes Cênicas e Espetaculares. As pesquisas deste grupo visam o desenvolvimento das Artes Cênicas, tanto na melhoria da qualidade artística, quanto na melhoria da qualidade do ensino da arte.
             Acreditamos ser a compreensão estética uma construção social, pois as idéias articuladas durante as leituras artísticas engendram conhecimentos humanos, não necessariamente artísticos, mas, também referente à produção tecnológica, importante para a melhoria da qualidade de vida humana, seja na área da saúde, educação, etc.
              Assim sendo, tanto os processos criativos quanto os de ensino e aprendizagem da arte podem proporcionar aos indivíduos a capacidade de humanização. Reconhecendo-se como pessoas criativas, sensíveis, responsáveis, possuidores de ética e respeitadores da diversidade sócio-cultural. No contato com o fazer e fruir artístico poderão conciliar a elaboração de idéias e emoções, de maneira sensível, imaginativa e estética. Fazendo com que cada ser humano perceba-se como ser simbólico e social, possuidor da capacidade de pensar e se expressar através de símbolos visuais e áudio-visuais com capacidade de transformação e no contato com os símbolos de sua própria produção e na apreciação da produção artística dos outros, poderá aumentar a sensibilidade consciente do fato de ser, estar e agir no mundo.
              Estabelecemos a noção da leitura estética compreendida como um elemento fundamental, essencial, no processo educacional, e para que tenha significado para a vida, se faz necessário ampliar nossas concepções sobre esse assunto discutindo com as pessoas envolvidas com a criação artística e com o ensino da arte, trocando idéias sobre pesquisas na área da Arte em Congressos, Seminários e Encontros, no Brasil e no mundo.

Nara Salles





Sobre Rojo


A montagem do espetáculo “Rojo”  parte da idéia de que a compreensão do mundo através da arte acontece não só por meio de uma leitura visual, auditiva ou tátil, mas de sinestesias (SINESTESIA: Palavra derivada do Grego sýn, juntamente + aísthesis, sensação, e significa a relação subjetiva que se estabelece espontaneamente, entre uma percepção e outra que pertence ao domínio de um sentido diferente. Por exemplo, um perfume que evoca uma cor ou um som que invoca uma imagem, provocando comoção e emoção e, sobretudo, produções de sentidos de quem observa a obra ao ser atravessado por imagens e sensações). 
        “Rojo” é resultado de um projeto de PIBIC - Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica, desenvolvido pelo NACE - Núcleo Transdisciplinar de Artes Cênicas e Espetaculares/UFAL (Universidade Federal de Alagoas), com bolsas de Iniciação Científica da PROPEP (Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação), PROEST (Pró-Reitoria Estudantil)  e FAPEAL (Fundação de Amparo a Pesquisa em Alagoas). Para a constituição do espetáculo foi realizada uma investigação das obras de Frida Kahlo e da filmografia completa de Pedro Almodóvar, visando a construção de uma estética constituinte para processos criativos para a cena, fundamentando-se no pensamento de Antonin Artaud e na teoria do teatro pós-dramático de Lehmann.
                     O estudo destes dois artistas da arte contemporânea e de linguagens distintas, Frida Kahlo, artes visuais e Pedro Almodóvar, cinema, nos deu o aporte necessário para uma inspiração, norteando os processos criativos colaborativos. Os artistas foram selecionados porque encontramos focos interessantes em suas obras: um traduz o universo feminino sob a ótica do ser feminino, o outro sob a visão do ser masculino. A dor marcante da vida de Frida Kahlo convertida em arte pode ser vislumbrada às mulheres firmes do universo feminino do cineasta. Ambos trazem embutidas nas obras um convite ao mundo passional, lírico e extravagante, permeados por um universo cheio de cores vibrantes e personagens densos, pode-se fazer um paralelo entre eles também através da coloração quente. Assistir as obras de Almodóvar é como entrever as pinturas de Frida Kahlo. Dor, ódio, dissociação, violência, intolerância, e disputa por poder estão presentes em ambas às obras. A sensualidade e a sexualidade são temáticas recorrentes nas vidas e nas obras de Kahlo e Almodóvar, assim houve uma preocupação em como expor essas características na cena. O caminho que escolhemos foi trabalhar de maneira implícita e explícita, nos figurinos com a utilização de decotes, lascões, transparências, lingeries e o corpo nu na cena.
          Com estas ideias, investigamos e estruturamos os elementos que dão forma a cena, compreendendo que os elementos constitutivos da cena não são construídos isoladamente, mas, interconectados, concebidos para acontecer em um tempo e espaço.
         Além do estudo da obra de Almodóvar e Kahlo, nos fundamentamos nos estudos teóricos dos escritos de Antonin Artaud e na teoria do teatro pós-dramático, com enfoque e fundamentação no teatro contemporâneo que tem como um dos seus expoentes o Teatro de Processo Colaborativo.
           A proposta foi investigar uma forma de processo criativo para estruturação de uma encenação, onde estivessem mesclados o teatro, a dança, a música, as artes visuais, e o cinema, com ênfase especial nestas duas últimas linguagens por causa dos artistas abordados. E neste ponto nos fundamentamos no discurso de Antonin Artaud, o qual tinha um pensamento que condenava a compartimentalização dos saberes e da vida e afirmava:  “Protesto contra a ideia separada que se faz da cultura, como se de um lado estivesse a cultura e, do outro a vida: como se a verdadeira cultura não fosse um meio apurado de compreender e exercer a vida” (1987). Evocando ainda seu pensamento acerca da linguagem constitutiva da estrutura da encenação: "deve ser responsável para agir de todas as maneiras e possuir todos os meios para atuar sobre a sensibilidade do espectador" (Artaud:1987). 
            Na montagem “Rojo”, temos a concepção de que a arte é um conhecimento humano sensível, cognitivo, estético e comunicacional e todo indivíduo deve ter acesso a esse saber. A compreensão estética é uma construção social, pois as idéias articuladas durante a leitura e vivência artística, são engendradas nos - e pelos- contextos culturais e seus discursos. Lembrando que a palavra estética¹ , é derivada do latim, e significa SENTIR.
¹Estética, do latim  aesthetica e do grego aisthetiké, para a  Filosofia conceituada como o estudo das condições e dos efeitos da criação artística na alma humana, tradicionalmente também é compreendido como o estudo racional do belo, quer quanto à possibilidade da sua conceituação, quer quanto à diversidade de emoções e sentimentos que ele suscita nas pessoas. Para nosso estudo e reflexão consideraremos tanto o belo quanto às emoções e sentimentos provocados na humanidade em contato com a obra teatral, mas principalmente o SENTIR.

Nara Salles



Ficha Técnica

Nome da montagem cênica: Rojo

Criação, pesquisa: Coletivo Vermelho de Teatro

Elenco: Carol Morais, Charlene Sadd, Daniela Beny, Gemma Galgany, Joelle Malta, Laís Lira, Mary Vaz, Patrícia Vieira, Jonatha Albuquerque, Mauricio Ebbers do Monte, Thiago Souza, Udson Pinheiro e Silvio Sarmento.

Concepção Cênica e Encenação: Jonatha Albuquerque e Nara Salles

Preparação Corpóreo/vocal: Jonatha de Albuquerque Vieira, Maria das Dores Costa, Nara Salles, Charlene Diana dos Santos

Dramaturgia: Elizandra Lucca, Daniela Beny, Nara Salles e Jocianny Carvalho

Figurino: Carolina Moreira Salles, Joelle Malta, Karina May, Nara Salles, Tácia Albuquerque

Produção: Coletivo Vermelho de Teatro

Técnica: Pâmela Guimarães, Laís Queiroz e Karina May.

Duração: aproximadamente 90 minutos






















Foto: Larissa Fontes
Apresentação no Espaço Cultural
Linda Mascarenhas – Maceió/AL



Espaço Cênico



Rojo é uma montagem cênica idealizada para espaços alternativos, tendo já realizado suas encenações em lugares como hall de galeria de arte e casarão histórico.
Propomos espaços alternativos cobertos e com extensão de no mínimo 10mx8m. O tamanho da sala estará diretamente ligado ao número de pessoas na platéia e que comporte a cenografia do espetáculo, com espaçamento necessário para que a encenação aconteça dentro e fora da cenografia.
O número sugerido de platéia é de 25 a 30 pessoas, não sendo interessante deixar pessoas fora da piscina, uma vez que a proposta de Rojo é sensorial e envolve espaços externos.
O cenário é composto por uma piscina com 3mx3m e 30cm de altura. Na piscina contém uma lâmina de água, onde são colocadas de 25 a 30 cadeiras de plástico ao seu redor. Os espectadores, ao serem convidados para ocupar o espaço, pelos atores e atrizes, tem a oportunidade de escolher o local aonde irão sentar optando por uma determinada perspectiva para assistir à obra. Tendo em vista que uma cama circula ao redor da piscina, por toda a apresentação.




Karina May
Cenografia no Campus
Cidade Alta (IFRN) – Natal/RN



Necessidades Técnicas


Necessidades de iluminação (ver com Pam):

4 refletores set light 500wts (iluminação/piscina)
2 ou 4 refletores PC 1000wts (frontais)
2 refletores set light 1000wts
Mesa de iluminação com no mínimo 8 canais
1 data show


Necessidades de sonoplastia:

2 caixas de som médias ou grandes
1 mesa de som
ou
1 caixa amplificadora
1 aparelho de DVD


Necessidades para piscina:

1 mangueira para encher a piscina
4 a 6 panos de chão
4 baldes



Foto: Larissa Fontes
Apresentação no espaço Cultural
Linda Mascarenhas – Maceió/Al

Currículo de Rojo


Estreia: 05 de outubro de 2010

Número de apresentações: 11 apresentações (até 25/03/2011)

Número de público: cerca de 300 pessoas (em média, os espaços cênicos de “Rojo” comportam de 25 a 30 pessoas por sessão)


Apresentações – Maceió/AL: 07 sessões

Espaço Cultural Linda Mascarenhas
  • Ensaio aberto – pré-estreia aberto ao público
  • Encontro de Processos Criativos em Artes Cênicas e Áudio-Visuais
  • Temporada no mês de dezembro/2010


Apresentações – Natal/RN: 04 sessões

Campus Cidade Alta – IFRN
  • Projeto Colores - mês de março/2011



Foto: Karina May
Apresentação no Campus Cidade Alta (IFRN) – Natal/RN


Clipping



Mais sobre Rojo

Fruto de uma residência artística do NACE- Núcleo Transdisciplinar de Pesquisa e Artes Cênicas da UFAL no Espaço Cultural Linda Mascarenhas, a montagem cênica “Rojo”  parte da idéia de que a compreensão do mundo através da arte acontece não só por meio de uma leitura visual, auditiva ou tátil, mas de sinestesias.
Rojo” é resultado de um projeto de PIBIC- Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica, em andamento, desenvolvido pelo NACE-Núcleo Transdisciplinar de Artes Cênicas e Espetaculares/UFAL (Universidade Federal de Alagoas), com bolsas de Iniciação Científica da PROPEP (Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação), PROEST (Pró-Reitoria Estudantil)  e FAPEAL (Fundação de Amparo a Pesquisa em Alagoas). Para a constituição do espetáculo foi realizada uma investigação das obras de Frida Kahlo e da filmografia completa de Pedro Almodóvar, visando a construção de uma estética constituinte para processos criativos para a cena, fundamentando-se no pensamento de Antonin Artaud e na teoria do teatro pós-dramático de Lehmann. Participam da montagem as atrizes:  Charlene Diana Santos,  Daniela Beny, Gemma Fidelis de Lima, Joelle Malta,  Maria das Dores Costa, Patrícia Vieira Tomás,  os atores: Jonatha de Albuquerque Vieira, Mauricio do Monte, Thiago de Souza, Udson Pinheiro; e os técnicos: Carolina Moreira Salles,  Henrique Oliveira, Karina Mayara da Silva,  Pâmela Guimarães; e embora trabalhemos com a noção de processo criativo colaborativo, por questões didáticas, metodológicas e de encaminhamentos, criamos núcleos de trabalhos assim constituídos: Figurino:  Dramaturgia: Preparação Corpóreo/vocal. Tem  Concepção Cênica e Direçãode Nara Salles e jonatha Albuquerque e  Assistência de Direção de Pâmela Guimarães. No entanto é importante frisar que todos os participantes tem voz ativa em qualquer instância no momento que desejarem, pois se trata de um processo colaborativo.
O estudo destes dois artistas da arte contemporânea de linguagens distintas, Frida Kahlo, artes visuais e Pedro Almodóvar, cinema, nos deu o aporte necessário para uma inspiração, norteando os processos criativos colaborativos. Os artistas foram selecionados porque encontramos focos interessantes em suas obras: um traduz o universo feminino sob a ótica do ser feminino o outro sob a visão do ser masculino. A dor marcante da vida de Frida Kahlo convertida em arte pode ser vislumbrada às mulheres firmes do universo feminino do cineasta. Ambos trazem embutidas nas obras um convite ao mundo passional, lírico e extravagante, permeados por um universo cheio de cores vibrantes e personagens densos, pode-se fazer um paralelo entre eles também através da coloração quente. Assistir as obras de Almodóvar é como entrever as pinturas de Frida Kahlo. Dor, ódio, dissociação, violência, intolerância, e disputa por poder estão presentes em ambas às obras. A sensualidade e a sexualidade são temáticas recorrentes nas vidas e nas obras de Kahlo e Almodóvar, assim houve uma preocupação em como expor essas características na cena. O caminho que escolhemos foi trabalhar de maneira implícita e explícita, nos figurinos com a utilização de decotes, lascões, transparências, langeries e o corpo nu na cena.
Com estas ideias investigamos e estruturamos os elementos que dão forma a cena, compreendendo que os elementos constitutivos da cena não são construídos isoladamente, mas, interconectados, concebidos para acontecer em um tempo e espaço. Além do estudo da obra de Almodóvar e Kahlo, nos fundamentamos nos estudos teóricos dos escritos de Antonin Artaud e na teoria do teatro pós-dramático, com enfoque e fundamentação no teatro contemporâneo que tem como um dos seus expoentes o Teatro de Processo Colaborativo.
A proposta foi investigar uma forma de processo criativo para estruturação de uma encenação, onde estivessem mesclados o teatro, a dança, a música, as artes visuais, e o cinema, com ênfase especial nestas duas últimas linguagens por causa dos artistas abordados. E neste ponto nos fundamentamos no discurso de Antonin Artaud, o qual tinha um pensamento que condenava a compartimentalização dos saberes e da vida e afirmava:  “Protesto contra a ideia separada que se faz da cultura, como se de um lado estivesse a cultura e, do outro a vida: como se a verdadeira cultura não fosse um meio apurado de compreender e exercer a vida” (1987). Evocando ainda seu pensamento acerca da linguagem constitutiva da estrutura da encenação: "deve ser responsável para agir de todas as maneiras e possuir todos os meios para atuar sobre a sensibilidade do espectador" (Artaud:1987).
Na montagem “Rojo” temos a concepção de que a arte é um conhecimento humano sensível, cognitivo, estético e comunicacional e todo indivíduo deve ter acesso a esse saber. A compreensão estética é uma construção social, pois as idéias articuladas durante a leitura e vivência artística, são engendradas nos -e pelos- contextos culturais e seus discursos. Lembrando que a palavra estética¹ , é derivada do latim, e significa SENTIR e nesta ação se entrecruza uma teia de percepções presentes em diversas práticas e conhecimentos humanos, não necessariamente artísticos, mas, por exemplo, referentes às produções tecnológicas, importantes para a melhoria da qualidade de vida humana, seja na área da saúde, educação, produção agrícola, etc.
O cenário é composto por um cubo  com 7mx5m , e no chão do cubo existe uma lâmina de água,  são colocadas 25 cadeiras de  dentro, os espectadores, ao serem engranzados no espaço pelos atores e atrizes, tem a oportunidade de escolher o local aonde irão assistir a obra, mas tem a oportunidade de colocar os pés dentro da água, que tem forte conotação nas cenas.



TEATRO
Publicado em 03.12.2010 às 11:08
Espetáculo "Rojo" entra em cartaz nesta terça
Temporada segue até o dia 10 de dezembro
Ascom IZP

O Espaço Cultural Linda Mascarenhas será palco da segunda temporada do espetáculo “Rojo”, com direção de Jonatha de Albuquerque Vieira e Nara Salles. A peça entra em cartaz no período de7 a 10 de dezembro, sempre às 19h, e a entrada é um tomate maduro.
A iniciativa é uma parceria do Instituto Zumbi dos Palmares (IZP), por meio do Projeto Linda de Teatro e do Núcleo Transdisciplinar de Artes Cênicas e Espetaculares (Nace), da Ufal.
“Rojo” é o resultado de uma investigação das obras de Frida Kahlo e da filmografia completa de Pedro Almodóvar. A ideia é mostrar que a compreensão do mundo através da arte acontece não só por meio de uma leitura visual, auditiva ou tátil, mas de sinestesias.
“A sensualidade e a sexualidade são temáticas recorrentes nas vidas e nas obras de Kahlo e Almodóvar, assim houve uma preocupação em como expor essas características na cena. O caminho que escolhemos foi trabalhar de maneira implícita e explícita, nos figurinos com a utilização de decotes, transparências, lingeries e o corpo nu na cena,” afirma Nara Salles, orientadora do Nace.
Na encenação, estão mesclados o teatro, a dança, a música, as artes visuais, e o cinema, com ênfase especial nestas duas últimas linguagens. Baseado no Teatro de Processo Colaborativo, o público tem voz ativa no momento que desejarem.


EVENTO CULTURAL

DIA MUNDIAL DO TEATRO SERÁ COMEMORADO COM OFICINAS E ESPETÁCULOS CÊNICOS Alunos, servidores e demais interessados podem participar
A partir do próximo dia 24/03, o Campus Cidade Alta do IFRN vai realizar um evento em comemoração ao dia mundial do teatro. Na ocasião, haverá apresentação do espetáculo “Rojo”, de Maceió/AL, além de oficinas com o grupo alagoano e debate sobre produção cênica. O evento é voltado para alunos do curso de produção cultural, estudantes e servidores do Instituto, além da comunidade externa. Os interessados podem se inscrever na sala 65 do Campus Cidade Alta do IFRN. As senhas dos espetáculos, que têm entradas francas, podem ser retiradas antecipadamente na galeria, com Jonathan Francioli, a partir das 08h00 da quinta-feira.
Mais informações nos telefones 4005-0974 (espetáculos) / 4005-0963 (oficinas).
 Confira a programação:
24/03/2011
09:00 - Oficina "Iniciação à Dramaturgia com base no cotidiano" - Auditório
14:00 - Mostra Almodóvar. FILME: De Salto Alto - Auditório
16:00 - A Produção Cênica no Contexto Acadêmico. O caso "Rojo" - Auditório
20:00 - Montagem Cênica "Rojo" (sessão exclusiva para convidados) - Galeria

25/03/2011
09:00 - Oficina Iniciação à Performance (Auditório)
14:00 - Mostra Almodóvar. FILME: Fale com Ela (Auditório)
19:00 - Espetáculo teatral: "Histórias de Terror de Edgar Allan Poe" - Com Cristiana Gimenes (SP) - Sala de dança
19:00 - Montagem Cênica "Rojo - NACE (Maceió/AL) - Galeria
21:00 - Montagem Cênica "Rojo - NACE (Maceió/AL) - Galeria
http://portal.ifrn.edu.br/natalcidadealta/noticias/dia-mundial-do-teatro-sera-comemorado-com-oficinas-e-espetaculos-cenicos

TEATRO

Espetáculo “Rojo” é apresentado no IFRN

Quinta-feira, março 24, 2011, 4:12
A obra da artista mexicana Frida Kahlo, a estética cinematográfica do espanhol Pedro Almodóvar e a poética do dramaturgo francês Antonin Artaud são elementos de inspiração para a criação do espetáculo “Rojo”, que estréia em Natal nesta quinta-feira (24), a partir das 20h, no Campus Cidade Alta do IFRN (antigo Liceu das Artes). Além da peça, filmes, oficinas e debates marcam as comemorações do Dia Mundial do Teatro na instituição. A programação segue até sexta-feira, com entrada gratuita.
“Rojo” é pautado nas teorias pós-dramáticas e parte da idéia de que a compreensão do mundo através da arte acontece não só por meio de uma leitura visual, auditiva ou tátil, mas de sinestesias. Na encenação estão mesclados o teatro, a dança, a música, as artes visuais e o cinema, com ênfase especial nestas duas últimas linguagens. O público tem voz ativa no momento que desejar.
A montagem cênica de “Rojo” é fruto de um processo colaborativo do Núcleo Transdisciplinar de Pesquisa em Artes Cênicas e Espetaculares (NACE) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), sob a orientação da Profesora Dra. Nara Salles. O espetáculo foi encenado pela primeira vez em 2010.
Filmes, oficinas e debates completam programação
O evento em homenagem ao Dia Mundial do Teatro é promovido pelo Curso de Produção Cultural do IFRN – Campus Avançado Cidade Alta, na Avenida Rio Branco (antigo Liceu das Artes). Toda a programação tem entrada franca. As senhas dos espetáculos podem ser retiradas antecipadamente na quinta-feira, a partir das 08h na Galeria de Arte, com Jonathan Francioli. Mais informações pelos telefones 4005-0974 (espetáculos) e 4005-0963 (oficinas).
24/03/2011
09h – Oficina “Iniciação à Dramaturgia com base no cotidiano” – Auditório
14h – Mostra Almodóvar. FILME: De Salto Alto – Auditório
16h – A Produção Cênica no Contexto Acadêmico. O caso “Rojo” – Auditório
20h – Montagem Cênica “Rojo” (sessão exclusiva para convidados) – Galeria
25/03/2011
09h – Oficina Iniciação à Performance (Auditório)
14h – Mostra Almodóvar. FILME: Fale com Ela (Auditório)
19h – Espetáculo teatral: “Histórias de Terror de Edgar Allan Poe” – Com Cristiana Gimenes (SP) – Sala de dança
19h – Montagem Cênica “Rojo – NACE (Maceió/AL) – Galeria
21h – Montagem Cênica “Rojo – NACE (Maceió/AL) – Galeria
Com informações de Portal IFRN.

Artigo

A CRIAÇÃO DOS FIGURINOS NA MONTAGEM “ROJO” INSPIRADA EM ALMODÓVAR E KAHLO

THE CREATION OF AN MONTAGE FIGURINE "ROJO" INSPIRED IN ALMODOVAR AND KAHLO

Nara Salles– Doutora, Professora do Programa de Pó-Graduação e Artes Cênicas (UFRN/UFAL)
Joelle Malta e Silva - Graduanda - Curso de Teatro (NACE/UFAL)
Carolina Moreira Salles - Graduanda de Design de Moda (ULBRA/RS)
Tácia Albuquerque – Graduada em Pedagogia (NACE/UFAL)
Jonatha de Albuquerque Vieira - Graduado em Teatro (NACE/UFAL)
Elizandra Lucca - Especialista no Ensino do Teatro (NACE/UFAL)
Laís Souza Queiroz – Graduanda em Teatro (NACE/UFAL)
Karina Mayara da Silva – Bolsista PIBIC Júnior (FAPEAL/ NACE/E.E. Moreira e Silva)


Resumo:

Este artigo focaliza o processo criativo dos figurinos para o espetáculo denominado “Rojo”, decorrente de uma pesquisa multi-linguagem em andamento, que está proporcionando um aprofundamento teórico prático, sob a ótica da arte contemporânea, das obras dos artistas Pedro Almodóvar e Frida Kahlo, assim como no campo estético da poética do espetáculo e técnico na montagem teatral, desvendando os seus processos criativos propostos para: cor, textura, luz, texto, cenografia, partituras corpóreo/vocais, enfocando as seguintes dimensões: 1 – figurino, 2 - atuação, trabalho corporal do ator/atriz, 3 – cenário, 4 – dramaturgia, 5 – música/sonoplastia, 6 – iluminação; sob a ótica do teatro pós-dramático, visando a construção de uma estética constituinte para processos criativos colaborativos na montagem cênica.

Palavras-Chave: Figurino, Processos Criativos Colaborativos, Encenação.
Abstract:

This article focuses on the creative process of the costumes for the show called "Rojo", resulting from a multi-language research in progress, which is providing a theoretical practical, from the perspective of contemporary art, works of the artists Frida Kahlo and Pedro Almodovar as well as in the aesthetic field of the poetics of spectacle and theater technician in the assembly, unfolding their creative processes proposed for color, texture, light, text, set design, musical scores bodied vocals, focusing on the following dimensions: 1 - costume, 2 - performance, body work of the actor / actress, 3 - scene 4 - drama, 5 - music/sound effects, 6 - lighting, from the perspective of post-dramatic theater, aiming to build an aesthetic component to the creative processes in collaborative montage scenic.

Keywords: Costumes, Creative Processes Collaborative, Direction

Este artigo enfoca a criação dos figurinos na pesquisa que se configura como um projeto PIBIC- Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica, em andamento, desenvolvido pelo NACE-Núcleo Transdisciplinar de Artes Cênicas e Espetaculares/UFAL (Universidade Federal de Alagoas), com bolsas de Iniciação Científica da PROPEP (Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação), PROEST (Pró-Reitoria Estudantil) e FAPEAL (Fundação de Amparo a Pesquisa em Alagoas); e tem como objetivo investigar as obras de Frida Kahlo e de Pedro Almodóvar, visando a construção de uma estética constituinte para processos criativos para a cena, fundamentando-se no pensamento de Antonin Artaud e na teoria do teatro pós-dramático, tendo como produto final uma encenação, que no decorrer do processo de criação foi denominada “Rojo”. A pesquisa está proporcionando um aprofundamento teórico das obras dos artistas apontados, assim como no campo estético da poética do espetáculo e técnico, desvendando concomitante aos estudos teóricos, os processos criativos e colaborativos para uma montagem cênica. Participam do processo de montagem 16 atrizes: Acácia Soares de Castro, Caroline Siqueira Macedo, Charlene Diana Santos, Edilene Barbosa da Silva, Elizandra Lucca, Kássia Freitas Neves da Silva, Gemma Fidelis de Lima, Joelle Malta, Laís Souza Queiroz, Maria das Dores Costa, Nara Salles, Olga Fernanda Baracho, Patrícia Vieira Tomás, Priscila Cordeiro Vasconcelos, Relvanídia do Livramento, Tácia Albuquerque; 06 atores: David Oliveira, Felipe Monteiro, Jonatha de Albuquerque Vieira, Mauricio do Monte, Thiago de Souza, Udson Pinheiro; 08 técnicos: Carolina Moreira Salles, Daniela Beny, Erick da Silva, Jocianny Santos Carvalho, Henrique Oliveira, Karina Mayara da Silva, Mayra Costa Pires, Pámela Guimarães; um músico: Marcus Antonio Alves da Silva; e embora trabalhemos com a noção de processo criativo colaborativo, por questões didáticas, metodológicas e de encaminhamentos, temos núcleos de trabalhos assim constituídos: Figurino: Elizandra Lucca, Carolina Moreira Salles, Joelle Malta e Silva, Jonatha de Albuquerque Vieira, Karina Mayara da Silva, Laís Souza Queiroz, Nara Salles, Tácia Albuquerque; Dramaturgia: Elizandra Lucca, Daniela Beny, Jocianny Santos Carvalho; Preparação Corpóreo/vocal: Jonatha de Albuquerque Vieira, Maria das Dores Costa, Nara Salles; Concepção Cênica: Jonatha de Albuquerque Vieira e Nara Salles. No entanto é importante frisar que todos os participantes tem voz ativa em qualquer instância no momento que desejarem.

O estudo destes dois artistas da arte contemporânea de linguagens distintas, Frida Kahlo, artes visuais e Pedro Almodóvar, cinema, nos está dando o aporte necessário para uma inspiração e norteando os processos criativos colaborativos. Os artistas foram selecionados porque encontramos focos interessantes em suas obras: um traduz o universo feminino sob a ótica do ser feminino o outro sob a visão do ser masculino. A dor marcante da vida de Frida Kahlo convertida em arte pode ser vislumbrada às mulheres firmes do universo feminino do cineasta. Ambos trazem embutidas nas obras um convite ao mundo passional, lírico e extravagante, permeados por um universo cheio de cores vibrantes e personagens densos, pode-se fazer um paralelo entre eles também através da coloração quente. Assistir as obras de Almodóvar é como entrever as pinturas de Frida Kahlo. Dor, ódio, dissociação, violência, intolerância, e disputa por poder estão presentes em ambas às obras. Com estas ideias estamos investigando a maneira pela qual podem se estruturar os elementos que dão forma a cena, compreendendo que os elementos constitutivos da cena não são construídos isoladamente, mas, interconectados, concebidos para acontecer em um tempo e espaço.

Além do estudo da obra de Almodóvar e Kahlo, temos nos fundamentado nos estudos teóricos dos escritos de Antonin Artaud e na teoria do teatro pós-dramático, com enfoque e fundamentação no teatro contemporâneo que tem como um dos seus expoentes o Teatro de Processo Colaborativo, termo que começou a ser utilizado nos anos 90, e que, segundo Antonio Araújo, diretor do Teatro da Vertigem da USP, seria “o compartilhamento da criação pelo dramaturgo, diretor, ator, os outros criadores, sem uma hierarquia nessa criação. O diretor não é mais importante que o dramaturgo, o dramaturgo não é mais importante que o ator e assim por diante” (ARAÚJO apud FISCHER 2005). Luís Alberto de Abreu, que participou da gênese do termo processo colaborativo, expõe um possível desdobramento deste conceito: O processo colaborativo provém em linhagem direta da chamada criação coletiva, proposta de construção do espetáculo teatral que ganhou destaque nos anos 70, do século XX, e que se caracterizava por uma participação ampla de todos os integrantes do grupo na criação do espetáculo (...) A criação coletiva possuía, no entanto, alguns problemas de método. Um deles era a talvez excessiva informalidade do próprio processo (FREITAS, 2004). A denominação processo colaborativo é recente e ainda segundo Freitas (idem), cabe ressaltar que não é exclusiva do dramaturgo, embora tenha sido por eles adotada, como por exemplo: Fernando Bonassi, Hugo Possolo, Reinaldo Maia e Sérgio de Carvalho; foi uma prática adotada em fins da década de 90, do século XX, principalmente por grupos de teatro de São Paulo.

De acordo com este pensamento se faz importante que atores e atrizes e todos os técnicos envolvidos no processo da montagem do espetáculo “Rojo”, explicitem suas percepções corpóreo/vocais em relação às possibilidades criativas enquanto figurinos/acessórios; cenário; dramaturgia; música e iluminação; não necessariamente nesta ordem, mas como demonstrado na imagem a seguir; de modo a se compor uma montagem não linear e com muitas cenas simultâneas, com projeção de imagens, de uma maneira em que todos estes aspectos se interliguem, e nenhum elemento constituinte da cena esteja sobreposto a outro, encontrando-se todos no mesmo grau de igualdade, o que pode ser traduzido visualmente na seguinte imagem inspirada no Quadro de Seis Atividades Básicas do Processo Criativo Artístico proposto por Iannitelli (1998):
                                                  

Figura 01: Vetorização dos Elementos Constituintes da Cena

Todas as experimentações corporais e laboratórios práticos estão sendo pensados e executados sempre a partir de situações permeadas pelo conteúdo encontrado na obra de Almodóvar e Kahlo, visando o processo criativo da obra “Rojo” e todas as pessoas envolvidas são livres para criar figurinos, cenas, músicas, etc; que estão sendo incorporados ao espetáculo.

No intuito de um melhor entendimento do processo utilizado nesta pesquisa, se faz necessário deixar claro como compreendemos os conceitos de processo, criação, estrutura e encenação. Vejamos, processo -que vem do latim processu- é o ato de proceder, a maneira pela qual se realiza uma operação, segundo determinadas normas, métodos e técnicas, neste caso específico a criação de uma encenação, a partir da investigação do universo feminino sob a ótica da obra dos dois artistas selecionados levando em consideração a subjetividade e a colaboração de todos os participantes; E por criação, entende-se formar ou dar forma¹ a algo (OSTROWER:1997). Lembrando que em nossa proposta de criação artística, forma é compreendida num sentido amplo, como uma estruturação não restrita à imagem visual, mas a realização particular de um fato; a maneira variável com que uma ideia, no caso a já apontada encenação, pode se constituir para cada elemento. Estamos investigando a maneira pela qual se pode estruturar na montagem “Rojo” a partir do estudo da obra dos dois artistas o figurino, a atuação, o cenário, a dramaturgia, a música e a iluminação, tendo a lucidez de que um espetáculo teatral possui os elementos constitutivos de sua estrutura para dar forma a eles, mas que não são construídas isoladas, e sim, interconectadas, sendo concebidas para acontecer em um tempo e espaço, como já apontado na figura 01, acima. Estrutura, aqui, é entendida sob o enfoque antropológico de Alfred Reginald Radcliffe-Brown (1979). Isto significa que, assim como no estudo da estrutura social, a realidade concreta que interessa é o conjunto de relações que realmente existem num dado momento e que ligam os seres humanos. Assim, fazemos observações, neste caso específico lançando mão da antropologia, para realizar a composição da encenação “Rojo”. Na estrutura de um espetáculo teatral vão interessar as relações que existem entre os elementos constituintes em seus processos criativos, que são realizados por indivíduos pertencentes a um conglomerado social, e que podem trazer impresso no seu trabalho criativo artístico, as suas vivências, anseios, desejos, ou seja, as suas matrizes identitárias culturais, sobretudo as corpóreo/vocais e psicofísicas, que se inter-relacionam no processo de criação de uma encenação, com o conceito definido de acordo com A. Veinsten (1955) apud Patrice Pavis (1996) "...designa o conjunto dos meios de interpretação cênica: cenário, iluminação, música e atuação..." e estendendo esta compreensão para o sentido que lhe dá Guinsburg (1995): para haver encenação é necessário uma tríade básica: atuante, texto e público. Frisando que texto é compreendido na acepção de Eugenio Barba:

texto, antes de se referir a um texto escrito ou falado, impresso ou manuscrito, significa 'tecendo junto'. Neste sentido não há representação sem texto. Aquilo que diz respeito ao texto (a tecitura) de representação pode ser definido como "dramaturgia", isto é, drama-ergon, o 'trabalho das ações' na representação (1995).


A proposta é investigar uma forma de processo criativo para estruturação de uma encenação, onde estejam mesclados o teatro, a dança, a música, as artes visuais, e o cinema, com ênfase especial nestas duas últimas linguagens por causa dos artistas abordados. E neste ponto nos fundamentamos no discurso de Antonin Artaud, o qual tinha um pensamento que condenava a compartimentalização dos saberes e da vida e afirmava: “Protesto contra a ideia separada que se faz da cultura, como se de um lado estivesse a cultura e, do outro a vida: como se a verdadeira cultura não fosse um meio apurado de compreender e exercer a vida” (1987). Evocando ainda seu pensamento acerca da linguagem constitutiva da estrutura da encenação: "deve ser responsável para agir de todas as maneiras e possuir todos os meios para atuar sobre a sensibilidade do espectador" (Artaud:1987). Sua ideia a respeito das partes constitutivas que compõem a encenação almejam ser alcançadas no processo criativo da encenação “Rojo”. Estamos compreendendo como parte constitutiva da encenação –em um processo criativo colaborativo- o que estrutura e dá forma a esta, seguindo as propostas postuladas por Artaud. As descrevemos a seguir, e conforme seu pensamento nos propomos a analisarmos e descrevermos no decorrer do processo criativo colaborativo, sempre sob a ótica da poética presente em Almodóvar e Kahlo. Os elementos constitutivos de uma encenação, segundo Artaud podem ser: 1 – roupa, indumentária: figurino: No olhar de Artaud (idem), deve-se procurar evitar o mais possível à roupa moderna... é absolutamente evidente que certas roupas milenares, de uso ritual, mesmo tendo sido de época em certo momento, conservam uma beleza e uma aparência reveladoras, entendemos que se deve buscar roupas que sejam extra-cotidianas e que criem uma atmosfera próxima à dos sonhos, assim como o uso inusitado de materiais para a confecção dos figurinos, sempre buscando uma atmosfera onírica; mais adiante, de acordo com nosso propósito para este artigo, detalharemos a criação do figurino nesta montagem; 2 – interpretação teatral: trabalho corporal² atuação, do ator/atriz: Artaud considera o ator como elemento de primeira importância em uma encenação, pois é da eficácia de sua interpretação que depende o sucesso do espetáculo. Sugere que se busque “movimentos particulares ou de conjunto, gestos evocadores, atitudes emotivas ou arbitrárias (ibidem); 3 - cenário: cenografia: o cenário não existe somente como construção material no sentido de remeter a um local específico. O cenário extrapola este fato, porque é concebido de forma a fazer com que os espectadores tenham os seus sentidos aguçados ao chegar ao lugar onde acontecerá a encenação. Logo, o cenário é um lugar ao qual se chega, física e subjetivamente, ou seja, é metafísico. Compreendemos dessa forma o sentido que Artaud quis dar ao escrever “não haverá cenário” (1987); 4 - texto: dramaturgia: o importante para Artaud (1987) é tentar uma encenação direta, onde a proposta derivará em um texto. E é importante lembrar que não se trata de suprimir o discurso articulado, o texto, mas de dar às palavras, mais ou menos, a importância que elas têm nos sonhos. 5 - música: Artaud (1987) pensava a música da seguinte maneira: os instrumentos são usados em estado de objetos e fazem parte da cena. Deve acontecer o uso de instrumentos antigos e esquecidos, assim como a criação de novos instrumentos e aparelhos sonoros; 6 - iluminação: Artaud (1987) buscava novos efeitos de vibrações luminosas, novos modos de difundir a iluminação em ondas, ou por camadas como uma fuzilaria de flechas incendiárias. Para produzir qualidade de tons particulares, deve-se reintroduzir na luz elementos de corpo, densidade, opacidade, com o objetivo de produzir calor, frio, raiva, medo. Hoje a tecnologia permite uma iluminação primorosa no sentido que Artaud desejava. A utilização da projeção de slides e imagens cinematográficas sobre o corpo é uma possibilidade que estamos explorando. A luz pode ser projetada nos corpos de forma a produzir um ambiente que aguça a expressão subjetiva e ressalta características do figurino.

A encenação constitui-se a partir da estruturação destas partes, tentando restabelecer uma comunicação direta entre o espectador/a e a encenação, entre a atriz e espectadores/as, pelo fato de que almejamos que o público seja envolvido e atravessado pela ação tomando parte da encenação ativamente, executando ações cênicas em conjunto com os atores e atrizes e músico, sendo assim, elemento fundamental na concepção do espetáculo para o momento da apresentação. Artaud (1987) alerta ainda para o cuidado de não "atribuir à palavra encenação a ideia de suntuosidade artística exterior, que pertence exclusivamente às roupas, à iluminação e ao cenário", o que nos faz lembrar e observar que sob o olhar do teatro contemporâneo, pós-dramático, todos os itens estão no mesmo nível de igualdade, sem que um se sobreponha a outro.

Reportando-nos aos figurinos, objeto deste artigo, asseguramos que os vermelhos, verdes e amarelos fortíssimos inspiraram a criação dos figurinos, vide as figuras 01 e 02; croquis desenhados pela formanda de Design de Moda Carolina Moreira Salles. As cores fortes traduzem a dor, a intensidade, o grande impacto das obras de Frida Kahlo e Pedro Almodóvar. Através do contraste entre as cores vermelho, verde, azul e amarelo de matiz intenso o figurino busca transpassar o impacto das obras de Kahlo e Almodóvar, e criar atmosferas na cena. O choque entre as cores alude a influência da vida sofrida de Kahlo em suas pinturas bem como a obra intensa de Almodóvar - o contraste entre as matizes também retrata o drama dos personagens de seus filmes. Os detalhes de cores de uma parte que invadem a outra cor num mesmo vestido têm por objetivo aludir os vários elementos da vida, sentimentos e aspectos sociais que se mesclam, tanto na obra de Frida Kahlo quanto na de Pedro Almodóvar, conforme a figura 01 abaixo. Os vestidos amplos e compridos sugerem a amplitude da vida de Frida Kahlo, das diversas interpretações que suas telas podem ter, bem como os vários sentimentos e situações que são tratados nos filmes de Almodóvar. Também têm a finalidade de salientar as variadas interpretações das obras de Kahlo os detalhes assimétricos das peças. As assimetrias do figurino fazem analogia à vida conturbada de Kahlo, à perspectiva que Almodóvar propõe em seus filmes à figura feminina.


                                                    Figura 01 - Profusão de Cores

Na figura 02 abaixo, os fios que pendem tanto do adorno de cabeça como das faixas nas pernas, têm por finalidade aludir à dimensão de sonho proposta por Artaud (1997), assim como às ataduras usadas por Frida Kahlo em decorrência de seu acidente. A cintura e quadris marcados valorizam a figura feminina ressaltada tanto nos filmes de Almodóvar quanto nas obras de Frida Kahlo. O espartilho com decote profundo sugere a sensualidade e erotismo presentes nos filmes de Almodóvar, e o contraste do azul com o vermelho, além de dar continuidade à proposta de choque entre as cores, transmite o contraste de sentimentos de Frida retratados em suas telas, presente também nos personagens dos filmes de Almodóvar.

Figura 02: Aplicação de Materiais Alternativos - Rolos de Filmes já Utilizados


Considerando a perspectiva pós-dramática, de que a cada experimento o corpo vai reagir com uma forma nova, e sob esta ótica as cenas nunca serão as mesmas, o espectador é levado em alguns momentos a participar das cenas, tanto é importante trazer o espectador para a cena como proporcionar uma referência estética para o mesmo. O ator/atriz a todo instante provoca o espectador, e o figurino, por sua vez é responsável por uma referência estética; que na obra “Rojo”, transfere o caráter dramático de uma objetividade da presença da indumentária para um caráter pós-dramático, estabelecido na subjetividade da forte presença corporal em cena, pois o corpo não presta apenas serviço ao texto, a época ou ao gênero e não existe uma preocupação em exibir um corpo bonito, nem de se conservar um padrão de harmonia entre o figurino e o corpo.

O figurino de Rojo, vai além das concepções, como as três dimensões da cor que são: 1 -Brilho (claro/escuro); 2 - Matiz (a longitude de onda: verde, vermelho, amarelo, etc.); 3 - Saturação (cores neutras e cores puras) (HOLDSWORTH: 2005). Cada um desses contrastes, juntos ou separados, são utilizados para construir espaço e forma, e intensificar efeitos luminosos

A cor na obra “Rojo” é marcada pela característica densa das obras de Almodóvar e Khalo, por isso, a escolha e contraste quente-frio. Com um corte tridimenssional os vestidos seguem um estilo contemporâneo buscando uma assimetria nos modelos, seja nos seus formatos, tecidos ou texturas. Uma parte dos tecidos utilizados precisa ser leve, para dar caimento e um toque de sensualidade ao visual. Vermelho, amarelo, verde, azul, rosa-choque e laranja (em outros croquis) convergem na criação de estruturas e volumes diferenciados nas peças e são usados tecidos denominados chifom, gazar, seda e voal porque trazem o caimento desejado.

Segundo Dario Caldas (1999), a roupa é vista como signo portador de mensagens que nos falam do indivíduo que a veste e da sociedade que a produziu. Assim sendo, a roupa, ao assumir esse papel, assume também a função de transmitir sensações, idéias e conceitos, e este fato é perfeitamente adaptável à montagem de figurinos. A relação da arte com a moda já está consolidada. Um dos pioneiros dessa idéia foi Paul Poiret, ao ter suas estampas elaboradas por artistas como Raoul Dufy, seus álbuns de coleções ilustrados por Georges Lepape, dentre outros. Poiret não foi o único – Elsa Schiaparelli criava com Salvador Dali, bem como Coco Chanel trabalhou com Picasso. Com o firme pensamento de que “A arte é fonte de criação para a moda, e a moda é fonte de criação para a arte” (CALDAS:1999) foram elaborados os figurinos de “Rojo”. Contudo, essa relação não procura estar explícita com clareza – a idéia é que os pontos de conexão estejam nos detalhes, nas formas, nas cores, para que a percepção do figurino, dos atores/atrizes, cenário, iluminação sejam captados pelo espectador como um todo, mas a partir da fragmentação. As assimetrias e cores fortes também se baseiam no conceito de Artaud (1997) de que o figurino deve ser extra-cotidiano, conceito este reforçado pela idéia de sonho traduzida pelo contraste do jogo de tecidos leves com tecidos pesados, bem como das cores e assimetrias. O objetivo é elevar o observador a outro patamar de entendimento da peça, em que cada um possa interpretar de uma maneira particular, a partir dos mesmos elementos, uma vez que o universo dos sonhos é uma dimensão utópica da qual cada um tem uma percepção diferente. Isso se vê também nos quadros de Frida Kahlo – existem vários elementos que parecem inusitados e inesperados, e estes podem ser sentidos de diversas maneiras, esta característica também se faz presente nas obras de Pedro Almodóvar. São várias vertentes que o observador pode optar por seguir, que, nas telas de Kahlo, são transpostas pelos elementos inesperados e indagáveis, enquanto nos filmes de Almodóvar pelas cenas em que o telespectador fica liberto para compreender a partir da maneira que captou os atos. No figurino de “Rojo”, esses detalhes são traduzidos pelas cores de matizes intensas, pelo jogo de cores, pelas assimetrias, pelo jogo de tecidos, pelas formas das peças, pela modelagem e textura.

O cinema e as artes plásticas são bases bastante inspiradoras para a criação dos figurinos, sobretudo em se tratando de obras com elementos bastante intensos e impactantes – a dor, as cores fortes, os sentimentos extremamente exaltados tanto em Pedro Almodóvar quanto em Frida Kahlo, portanto a elaboração dos figurinos buscou apreender essas sensações; que “Rojo” tem por objetivo estabelecer na inter-relação dos elementos constituintes da cena, de acordo com a vetorização que pode ser observada na figura 01 no início deste artigo.

Referente ao estilo ou recorte histórico dos figurinos, não há uma representação realista, pois, como já foi mencionado, embasados nos pensamentos de Artaud (1987), optamos pela investigação de roupas extra-cotidianas que explorem referências semióticas e culturais. Assim, as formas, cores, volumes e texturas destes figurinos dialogam principalmente com as características visuais e conceituais das obras de Kahlo e Almodóvar.

Destacamos a importância desses fundamentos na concepção do figurino, pois segundo Cunningham (1984:01) A roupa do ator, ajuda a concentrar o poder da imaginação, expressão, emoção e movimento dentro da criação e projeção do caráter do espetáculo.

Numa visão dramática, o figurino atende as características da personagem, embasado num texto pré-escrito e em conceitos psicológicos e/ou morais, ficando dessa forma em segundo plano no processo teatral. Porém, seguimos com o pensamento pós -dramático, onde este olhar é re-significado, sendo o figurino elemento constitutivo e integrado ao processo criativo, como já apontamos e reforçamos neste momento, pois neste sentido, o ator/atriz em uma proposta de teatro pós-dramático, utiliza os figurinos também como estímulos de criação durante todo o processo, deixando de lado pré-conceitos, vaidades ou comodismos e permitindo uma reflexão enquanto a função do figurino no espetáculo e suas re-significações simbólicas. Durante o processo de treinamento psicofísico com o elenco e técnica, que está em andamento, estão sendo desenvolvidas experimentações com elementos como saias, saltos altos, roupas de baixo, que permitem este processo dialógico e colaborativo.

Decorrentes dessas discussões e interações características de um processo criativo colaboratovo, e dos desenhos dos croquis já elaborados, chegou-se a hipótese de aprofundar um figurino que explore o uso de materiais alternativos e outras texturas para a modelagem como ataduras, plástico de rolos de filmes e materiais diversos. Elementos estes associados ao contexto de Kahlo e Almodóvar, que poderão remeter os espectadores ao universo de ambos. Temos também a proposta de transformação das roupas durante as cenas e a utilização de projeções em cima dos corpos.

Finalmente devemos frisar ainda, que a sensualidade e a sexualidade são temáticas recorrentes nas vidas e nas obras de Kahlo e Almodóvar, assim há uma preocupação em como expor essas características na cena. O caminho que estamos investigando é trabalhar de maneira implícita e explícita, com a utilização de decotes, lascões, transparências e o corpo nu na cena.

¹Compreendida num sentido amplo, como uma estruturação não restrita à imagem visual. Realização particular de um fato geral; maneira variável com que uma noção, uma ideia, um acontecimento (no caso uma encenação) se apresenta.

²Sempre que nos referirmos a corpo deve-se entender corpo/voz e corpo/espírito em unidade compreendendo a dimensão psicofísica.

Referências:

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FISCHER, Stela R. Processo colaborativo: experiências de companhias teatrais brasileiras dos anos 90. Dissertação de Mestrado da Universidade Estadual de Campinas/SP: 2005.

FREITAS, Eduardo L. V. de . Luis Alberto de Abreu e o Processo Colaborativo. Comunicação apresentada na XIIª Semana de Ciências Sociais da PUC-SP / 2004.

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SOUZA, Gilda de Melo e. O Espírito das Roupas: A moda no século XIX. São Paulo: Cia. Das Letras, 1987.


Por:Joelle Malta,Karina May,
Silvio Sarmento e Mary Vaz (Núcleo de Produção)






1 Response to "Projeto ROJO (Núcleo de Produção)"

  1. NeusaLuzz Says:
    2 de abril de 2012 04:48

    Maravilhoso Nara!
    Texto, fotografia, tudo perfeito!
    Parabéns, aaaaamei tudo!
    só tenho a desejar cada vez maaais suce$$o!

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